A importância da Nutrição durante a gestação

Por Maíra Barros

Durante a gestação, a saúde e alimentação da mãe podem influenciar diretamente na saúde do bebê, portanto, são aspectos que devem ser promovidos antes mesmo da gravidez! E ai, surgem diversos questionamentos: “A alimentação pode influenciar na fertilidade?”; “Quais cuidados devem ser tomados com a alimentação durante a gestação?”; “Quando devo começar e parar de amamentar meu bebê?”; “Quantas vezes o bebê deve mamar por dia?”; “Quando o meu filho pode começar a comer?”; … Muitas dúvidas e inseguranças aparecem nesse momento e, sabendo que o grupo materno-infantil necessita de cuidados específicos, o nutricionista especialista é uma peça-chave nesse processo.

Sabemos que a Nutrição, por envolver algo tão essencial quanto os alimentos que consumimos, precisa de profissionais competentes e que tenham paixão por aquilo que fazem, tratando do público que mais se enquadra no seu perfil. Aqui no Blog do IESPE, por exemplo, vimos por meio de depoimentos contados por minhas colegas nutricionistas, que a área possui muitas outras especializações possíveis, que abrangem conhecimentos como Gastronomia e Esporte.

No meu caso, tive a felicidade de me descobrir como nutricionista nessa área fascinante que é a materno-infantil. A nutrição surgiu na minha vida durante o início da adolescência, devido à necessidade de mudança nos hábitos alimentares. A partir do acompanhamento com uma nutricionista, fui me apaixonando por aquele mundo de novos alimentos, porções, variedades, cores, rótulos, condutas e os benefícios que aquelas mudanças de hábitos estavam gerando. Estava completamente encantada e não tive dúvidas de tomar a decisão do curso: Nutrição!

A cada período da faculdade, sentia mais a certeza de que fiz a escolha certa. Durante a graduação, me envolvi em alguns projetos (monitoria, iniciação científica, por exemplo) que me despertaram o desejo da docência e pesquisa. Conclui a formação e fui direto continuar os estudos fazendo o mestrado em Nutrição e Saúde e, nesse meio tempo, surgiu um desejo e encantamento com o grupo materno-infantil. Antes mesmo de concluir o mestrado, iniciei a especialização em Nutrição em Pediatria e me descobri, de fato, dentro da Nutrição.

A nutrição materno-infantil vem despertando cada vez mais o interesse da população, bem como dos profissionais, pelo simples fato de estarmos mais conscientes de que a alimentação saudável é fundamental em qualquer fase da vida. Por isso, aprender sobre esse tratamento é muito importante. Para entender a forma como o nutricionista pode auxiliar em uma boa gestação e na saúde do bebê, vou abordar algumas situações comuns nesse período e suas possíveis soluções.

Como o nutricionista pode auxiliar em alguns sintomas comuns da gestação?

Algumas situações são comuns durante a gestação e o nutricionista é capaz de identificá-las e tomar condutas nutricionais adequadas para eliminar ou amenizar os sintomas.

Os mais característicos e relatados pelas mulheres durante a gravidez são as náuseas e vômitos, que são frequentes no primeiro trimestre de gestação. Esse mal-estar pode ocorrer devido a alterações hormonais e aumentam a capacidade do olfato, deixando a mulher mais sensível a determinados tipos de odores. O organismo da gestante é tão sensacional, que esse aumento da capacidade olfativa é um instinto de defesa, pois a gestante consegue identificar desde já os alimentos que podem estar estragados, deixando de consumi-los. Algumas condutas podem ser tomadas para melhorar os sintomas, como fazer refeições pequenas, fracionadas e secas, consumir alimentos com baixo teor de gordura e biscoitos cream cracker no período da manhã, que podem ajudar a amenizar esses problemas. O ideal é a mulher identificar os alimentos que reduzem a própria sensação de náuseas e vômitos, lembrando, porém, que nenhum excesso é benéfico. Normalmente, a partir da 14ª semana, a disposição para alimentar-se normalmente volta ao que era antes e pode ocorrer um aumento do apetite.

Outro sintoma muito comum é a azia (pirose), que ocorre devido à pressão do útero sobre o estômago:o relaxamento do esfíncter esofagiano inferior (região que forma a entrada do estômago) faz com que, logo após o consumo de alimentos, o “bolo” retorne para o esôfago misturado ao ácido clorídrico, levando à sensação de queimação. As orientações básicas para a melhora desses sintomas são comer e mastigar tranquilamente, evitar períodos longos de jejum, fracionar as refeições e evitar grandes quantidades de alimentos.

Vale lembrar que essas são condutas gerais e nem sempre irão resolver ou serão adequadas dependendo da gestante. Como conversamos,um alimento que reduz a náusea de uma gestante, por exemplo, pode exacerbar esse sintoma em outra. Por isso, é necessário um atendimento nutricional individualizado.

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